Moda: Quem vai ganhar essa guerra?
O que é moda para você? Para uns, apenas jeito de se vestir, para outros, consumo em série de um estilo de vida. Mas todos concordam em um ponto: moda é a tendência de consumo atual.
Vemos diariamente pessoas que andam agrupadas e isoladas de outras culturas. São roqueiros, funkeiros, punks, pagodeiros, patricinhas, forrozeiros e mais uma infinidade de outras denominações que são agregadas à sociedade com uma freqüência cada vez maior. Mas não é a diversificação que chama mais atenção e sim o universo criado por cada um. Com as mesmas falas, vestes e gestos cada grupo constrói uma muralha difícil de ser ultrapassada por idéias divergentes. Foi isso que o mercado comercial começou a perceber e que deu abertura para a criação de negócios especializados. Hoje você pode ir a uma loja que vende somente artigos para quem gosta de Rock ou, se preferir, comprar incensos em uma loja de esotéricos para ambientalizar sua casa e sintonizar a alma e a mente. As opções de consumo estão cada vez maiores e isso não pára por aí.
Além de lojas, existem também eventos para divulgar ainda mais os estilos atuais como é o caso da São Paulo Fashion Week ou do Abril Pro Rock. Entretanto, o fato é que as diferenças – cada vez mais gritantes -, ao invés de enriquecer os comportamentos individuais das pessoas, criam um abismo entre elas e fazem com que os defensores de um grupo específico defendam a superioridade em relação aos outros. Alguns chegam até a provocar agressões físicas e danos materiais como acontece freqüentemente durante as brigas entre Punks e Skinheads.
Um outro universo interessante é o grupo dos Cults que preferem o vinil ao mp3 e gastam pequenas fortunas para adquirir antiguidades no intuito de demonstrar a bagagem cultural que possuem. Como por exemplo:
Pagar 5.600 reais por uma antiga balança de moedas…
…ou gastar gastar 7.500 reais na primeira edição dos três volumes do livro “Apontamentos para a História Natural dos Pássaros”. (Que nem está traduzido para o Português, mas como Espanhol é mais Cult, o preço se torna uma pexinxa)
Os Cults fazem ferrenhos embates contra grupos, segundo eles, fúteis como “Funkeiros” e “Patricinhas” que, para se defender, usam como bandeira a famosa filosofia do “Carpe Diem”.
O mundo está dividido. E essa divisão vem fragmentando em alta velocidade a originalidade para dar espaço aos modismos modernos. O que para uns é dinâmico e atual, para outros pode ser a perda de valores importantes na construção de uma sociedade decente. Quem está certo? Só o futuro poderá dizer. A única coisa que ainda nos resta é analisar com cuidado as facções existentes, escolher a que achamos melhor e torcer para que a nossa escolha um dia ganhe essas batalhas de tendências e estilos.
Não é questão de Machismo
A conversa tava boa, mas já era hora de ir. Arrumei minhas coisas, fui correndo pra pegar o bus das 22:30h e tive a sorte de conseguir um novinho em folha, com direito até a cadeiras acolchoadas (uma raridade, devo ressaltar). Fone no ouvido, Mp4 no último volume, idéias viajantes na cabeça. O gostoso balanço, a brisa fresca da noite e a música relaxante me fizeram cair no sono por alguns minutos. Não muitos, mas foram suficientes para me deixar apavorado. Inspirado no diálogo que travei com meus colegas de turma, sonhei com um mundo totalmente diferente onde as fêmeas tomavam conta de tudo, assim como era na grande maioria das espécies. Um mundo onde os homens eram proibidos de tomar cerveja pra não criarem barriga e as mulheres eram as “chefes de família”.
Acordei com um pulo e estava tão visivelmente perturbado com aquilo que todos os passageiros perceberam e me encararam de forma estranha. Mas não era pra menos. Imagine só! Mulheres a frente de tudo! Seria o verdadeiro apocalipse. Nada contra as mulheres, as acho muito inteligentes e competentes em vários aspectos. Mas vamos pensar um pouco no que seria do nosso mundo se a assembléia da Grécia antiga tivesse sido formada por mulheres ou se a Revolução Francesa fosse encabeçada por elas. Já pararam pra analisar a desgraça que seria nosso mundo?
As batalhas cheias de sangue, suor e honra não passariam de tapas, bofetadas e puxões de cabelo. Seriam campanhas onde usariam bobs no lugar dos capacetes e rolos de massa seriam as espadas. Não existiriam segredos de Estado porque todas elas fariam questão de fofocar tudo para as amigas assim que chegassem ao salão de beleza. Criariam o Ministério da Moda só pra falar mal da roupa das presidentes, das deputadas ou de qualquer outra figura feminina com destaque social.
Não. Decididamente isso nunca poderia ter acontecido.
Mas calmas mulheres. Não é machismo de minha parte e deixe-me explicar o porquê. No planeta há milhões de espécies e em mais de 90% delas (isso é um percentual que eu to jogando por baixo, pois ele deve ser até maior) é comandada por fêmeas. Por dia, milhares de machos são abusados sexualmente e depois descartados como lixo. Pior, alguns deles são até devorados! Pobres coitados. Tudo em nome da evolução e perpetuação da espécie. Aí, só porque nossa querida humanidade foge à regra geral, vocês querem mudanças?
Não pedimos muito, só o reconhecimento por termos tratado-as tão bem durante tantos séculos, deixando-as em casa, cuidando dos guris e das refeições, enquanto nos fudiamos trabalhando duro pra sustentar seus gostos e construir uma sociedade decente.
E mesmo depois de tanta dívida para conosco, ainda as tratamos como rainhas…
Isso sim, é um soco na mente foda!
¬¬
Há-Há-Há-Há-Há
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Sem banana não há macacos, sem macacos não há Nação

Em 2003 foi publicada uma notícia bombástica. A banana poderá ser extinta em 10 anos. Lembro-me como se fosse hoje. Estava eu, vagabundeando aqui em casa quando meu pai, demonstrando intensa indignação, disse “não pode ser, seria um absurdo se isso realmente acontecesse”. Admito que ri, embora a notícia fosse preocupante. Vamos pensar um pouco nos impactos que isso causaria.
Em primeiro lugar, um país de terceiro mundo que se preza tem que ter bananas. Principalmente se esse país for tropical como o nosso. Em segundo lugar, certamente aconteceria uma queda drástica na economia mundial. Os países do Sul seriam atingidos mais fortemente e os do Norte sofreriam, com menos impacto por serem desenvolvidos, mas não escapariam da crise por causa da globalização.
Mas não é o simples fato do desaparecimento desse pseudo fruto que me fez redigir esse texto. Dois anos depois, com a tal notícia já caída no esquecimento, outra bomba veio à tona, mas desta vez, apenas em manchetes brasileiras. Uma onda de corrupção que se iniciou com o que apelidaram carinhosamente de “mensalão” e que foi se revelando aos poucos em outras vísceras do governo. Dentre elas quero destacar o “caixa dois” utilizado para dar uma mãozinha nas campanhas eleitorais. Novamente, sentado em casa, meu pai, ao saber que a gestão atual estava envolvida no esquema, abaixou a cabeça, olhou pros lados desconfiado e murmurou “Essa Globo abusa às vezes… Também não largam do pé do PT. Todo mundo usa caixa dois e só o PT tá errado?”
Meu querido pai sempre foi fã incondicional do partido e, é claro, da figura que o representa como ninguém, o nosso atual presidente Luís Inácio. Mas depois de digerir as reações do coroa, foi minha vez de ficar indignado. Puta que pariu. Você, mesmo em sua insignificância, sabe que se um merda faz besteira, não se deve fazer o mesmo. Só que não é assim que acontece em nosso paraíso tropical. O pior de tudo é que mesmo meu pai sendo uma pessoa educada, formada em Direito e estudiosa da História mundial, foi incapaz de perceber a contradição dentro de si ao dar tanta importância à banana e banalizar o próprio país.
Fiquei muito puto por um tempo, mas hoje vejo que fui injusto com a reação do meu velho. Afinal de contas, por mais que pensemos nas teorias filosóficas, construamos maravilhas de dimensões monumentais ou façamos cálculos desgraçados para saber de fatos que ocorrerão daqui a cinqüenta anos, somos meros macacos sem pêlos. E o que seria de nós macacos sem a nossa fonte de alimentação principal? Haveria destruição em massa e arrancaríamos os poucos cabelos que herdamos dos nossos ancestrais. Seria um caos.
Já posso até ver como serão os discursos e os programas de quem se candidatará daqui a uns cinco ou dez anos. “Se for eleito, prometo mais igualdade, moradia, saúde e o principal, bananas!”; “Banana, uma fruta para todos” e “Bolsa-banana”.


